domingo, 21 de dezembro de 2008

Eu sou uma árvore


Eu sou uma árvore:
Adultos criaram minhas raízes, desenharam meu tronco. Os galhos são de minha responsabilidade. Por meio deles, estou em todos os lugares e não estou em lugar nenhum, porque não faço parte de lugar nenhum, aliás, tenho minhas dúvidas: faço parte de mim mesma? Essa mim mesma, quem é mesmo? Ela faz parte de algum lugar?
Sinto a flor do peito. Acho que é porque ela é tão precoce e tão menina de lá quanto eu. Tentamos fugir da clave do mundo – sem saber muito bem por que -, como se ela estivesse à nossa espreita; tentamos fugir e desfrutar dela. Mas o que eu quero mesmo é a clave de fá! Quero fazer parte da vida. Quero tudo o que ela e a clave de fá têm para me oferecer.
Eu quero fazer parte.
Eu quero entender porque sou uma árvore. Qual a real diferença entre mim e aquela árvore da floresta. O que ela faz ali? Qual é o efeito que ela causa nas árvores que estão perto dela? Qual o efeito que ela causa no solo, no ar, nos bichos, no ecossistema dela, na biosfera, na vida? É só uma árvore(.)(?)
Juro que não sei.

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Um conflito



A verdade é incompreensível

Homem nenhum pode ensiná-la... sequer alcançá-la!

A verdade do homem está comprometida pela subjetividade

Então, por favor, não me imponha a sua verdade,

porque em mim não cabe a sua subjetividade

Mas sim, ofereçca-ma de boa vontade

e assim construiremos uma sociedade

A realidade seria bonita, não fosse nossa subjetividade

É...

Seria também um tédio

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008


Hoje eu tô com saudade de mim; saudade do que não me tornei, de quem serei ao final dessa realidade falsa e presunçosamente material.

Sinto falta da ausência do tempo em mim.

Hoje marco hora comigo para juntos, eu e meus eus, redescobrirmos a criatividade moribunda que descansa atormentada na minha infinitude (in)segura.

Hoje eu quero falar pra mim: fique atenta, menina, não deixe escapar as melodias que nascem no seu íntimo e vão parar - inquietas - nos seus olhos. O mundo quer corromper esses olhos, menina querida, não permita, porque sem a música da poesia, eu, mesmo com você, não viveria.


Paula Nara Jacobini 10/12/08

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

A perfeição


A perfeição


O que me tranqüiliza

é que tudo o que existe,

existe com uma precisão absoluta.


O que for do tamanho de uma cabeça de alfinete

não transborda nem uma fração de milímetro

além do tamanho de uma cabeça de alfinete.


Tudo o que existe é de uma grande exatidão.

Pena é que a maior parte do que existe

com essa exatidão

nos é tecnicamente invisível.


O bom é que a verdade chega a nós

como um sentido secreto das coisas.


Nós terminamos adivinhando, confusos,

a perfeição.


(Clarice Lispector - Adaptação de Antonio Damazio)


Quando eu leio alguma coisa da Clarice, entro em outra dimensão de mim.

O mais importante do que ela escreve é o que não está escrito, porque o mais importante sobre o que ela escreve é o que não está escrito, ou melhor: está escrito, sim... isso é música

domingo, 7 de dezembro de 2008

Bohrgoras


Homem; órgãos; tecidos; células; moléculas; átomos
que só se opõem nominalmente por causa do
número de núcleons e elétrons;
quarks
vibrações. notas de acordes que indicam música, esta que é o transporte da [fonte-essência para as existências...