terça-feira, 15 de setembro de 2009

Eu tive que falar da minha vida
Sem saber se a sabia
Como era, que gosto tinha
Ela me inventou pra eu não me saber
E o que eu respirava, eu respondia pra você

Mas a vida que eu não sabia me queria
Disso você não quer saber
E eu não saberia lhe responder
Eu só sinto que é eterno
Eu não me sei, mas eu me quero

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Retângulo

Aqui onde eu vivo
é pequeno e escuro
o chão é mui duro
e muito seguro

Minha roupa é a mesma
ontem e amanhã
meu nome é Depende
nome é convenção

Como todo dia
arroz e feijão
o cheiro é bom
mas o gosto não

Música é só uma
não tenha batida
só a melodia
de instrumento agudo

Não há tranca alguma
me agarro ao escuro
e ao chão que é duro
e muito seguro

São quatro paredes
três delas de aço
outra de cortina

A cortina é fina
e fácil de abrir
sei porque tentei

E o que eu vi era tão claro, bom e aberto
Era tão saboroso, ritmado e colorido
tão bonito, cheiroso e livre
que voltei

pra cá onde eu vivo
que é pequeno e escuro
o chão é mui duro
e muito seguro